quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O rei das mentiras

(Matéria publicada pela revista 'ISTOÉ-Gente', em 24/03/08, sobre o livro de John Hart, editado pela Record.)

O REI DAS MENTIRAS

Estreia do ex-advogado John Hart surpreende pela densidade psicológica dos personagens

Marcelo Lyra

John Hart é um ex-advogado que resolveu dedicar-se à literatura e logo na estréea, com O Rei das Mentiras (Record, 406 págs., R$ 40), surpreendeu seus editores ao ficar por semanas na lista de mais vendidos do New York Times. Aparentemente é uma história comum: um jovem advogado sofre uma enorme reviravolta quando o corpo de seu pai, desaparecido há meses, é encontrado assassinado e ele passa a ser um dos suspeitos. Começa então uma luta para provar a inocência, ao mesmo tempo em que tenta juntar os cacos da família, buscando reatar a relação com a irmã.

Mas o que faz O Rei das Mentiras atrair tanta gente e ser elogiado pela crítica? Mais que uma boa história de suspense, o livro surpreende pela densidade psicológica dos personagens. Ao narrar uma vida entremeada de lembranças do passado, Hart vai equacionando a degradação da família, que acontece sob uma fachada de sucesso. Econômico nas palavras, ele esbanja habilidade em descrever relações entre pessoas. Muitas vezes um rápido comentário, colocado no momento certo, é suficiente para permitir ao leitor delinear o perfil, as verdadeiras intenções ou a próxima atitude de um personagem.

O crime e sua surpreendente solução servem apenas como pano de fundo para um amplo painel sobre a decadência causada por relações familiares difíceis e suas conseqüências na vida de cada um. Não é pouca coisa.



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