Um dos mais emblemáticos detetives da literatura policial começa a sentir o peso dos anos. E da solidão. Mas como os vinhos que tanto aprecia, Salvo Montalbano ganha mais personalidade e sabor com o passar do tempo. Avesso à violência, é com o mesmo intelecto aguçado com o qual resolve os mais intrincados mistérios que ele analisa sua própria trajetória.Em A paciência da aranha, um comissário Montalbano triste e deprimido, atormentado por uma crise existencial, se pergunta: é possível um homem chegar ao fim de sua carreira e se rebelar contra tudo que lutou para manter? Convalescendo após um quase encontro com a morte em uma de suas aventuras anteriores, cuidado pela fiel e amada Livia, ele reavalia suas crenças, a vida dedicada a uma justiça na qual não mais acredita cegamente.
Em meio a divagações morais, percebe que os criminosos que ajudou a prender são infelizes vítimas de um sistema também imperfeito. s vezes aquilo que ele acreditava correto era considerado errado pela justiça. Então, seria melhor seguir a lei ou a própria consciência? Montalbano é retirado desse autoexame por um chamado de seus companheiros da força policial de Vigàta: uma moto fora roubada.Sem entender porque o perturbariam por tão pouco, o inspetor logo descobre que junto com o veículo a bela universitária que o conduzia, Suzanne Mistretta, também fora levada. Apesar dos telefonemas anônimos à família e uma foto da jovem raptada, Montalbano acredita haver mais por trás do caso. E ele será o único capaz de encontrar o fio de uma teia tecida com paciência e crueldade...
Nascido em Porto Empedocle (Agriento) em 1925, Andrea Camilleri trabalhou por muito tempo como roteirista e diretor de teatro e televisão, produzindo os famosos seriados policiais do comissário Maigret e do tenente Sheridan. Estreou como romancista em 1978. A consagração, porém, viria apenas no início dos anos 1990, quando publicou A forma da água, primeiro caso do comissário Salvo Montalbano, um policial diferente, avesso às armas, culto, dono de gostos refinados, aficionado por gastronomia. Desde então recebeu alguns dos principais prêmios literários italianos e tornou-se sucesso de público e crítica em todos os países onde foi lançado. Entre algumas das aventuras de Montalbano publicadas na Coleção Negra estão O cão de terracota, O ladrão de merendas, A voz do violino, O cheiro da noite, Guinada na vida, entre outros.















